
Apesar de 170 famílias terem sido atingidas pelo tornado em Guaraciaba (SC), apenas três estão no abrigo fornecido pela prefeitura. A maioria dos desabrigados preferiu ficar perto das casas destruídas, contando com o apoio de vizinhos, amigos e parentes.
Segundo um levantamento do Corpo de Bombeiros, pelo menos 60 casas da cidade foram completamente destruídas. Ao todo, Guaraciaba registra 89 feridos e quatro mortos.
O abrigo fica em uma igreja na estrada que liga Guaraciaba à vizinha São Miguel do Oeste e tem capacidade para receber até 200 vítimas, de acordo com a Prefeitura.
Na noite de quarta-feira (9), no entanto, apenas dez pessoas -- um casal com seu filho de quatro anos, dois senhores irmãos e uma mãe com quatro filhos adultos -- dormiam no local. Todos são agricultores. Para eles, não houve outra opção além do abrigo.
"A gente não tem mais nada. Não tem casa, não tem móvel, não tem roupa. O vento levou tudo. Não temos dinheiro, perdemos o emprego. Não sei nem por onde começar", conta a agricultora Izete Marques, de 30 anos, que está com filho e marido no abrigo. Depois do tornado, a família esperou por socorro durante cinco horas na estrada e na chuva.
A também agricultora Derci Tonezer, de 52 anos, foi para o abrigo com os quatro filhos. "Acabou tudo. Tudo, tudo, tudo", diz ela.
Depois de ajudar a resgatar seus vizinhos, o agricultor Osmar Slurtin, de 59 anos, foi para o abrigo com o irmão, Ademir, de 53. "Levei ele ao médico e na volta nós paramos aqui, por que lá está muito difícil", conta Slurtin.